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Obras do Metrô de São Paulo têm ajuda valiosa. Depois de mais de dois anos, Shield deixa a construção

tatuzaoA tuneladora Shield é utilizada na construção do Metrô de São Paulo desde o início das obras da Linha 1 – Azul, na década de 1970. O equipamento, que veio ao Brasil para atuar nas obras da Linha 4 – Amarela trouxe novidades. Diferentemente das anteriores, com seis metros, a tuneladora utilizada atualmente tem 9,5 metros de diâmetro. As diferenças não param por aí. A nova ferramenta de construção dos túneis do metrô paulistano utiliza o sistema EPB (Earth Pressure Balanced ou pressão balanceada de terra). “Este sistema garante a estabilidade da frente de escavação sem haver necessidade de se pressurizar todo o túnel como acontecia na Linha 1”, explica o engenheiro Carlos Henrique Turolla Maia, gerente de produção do Shield, do Consórcio Via Amarela, responsável pela obra. “Além disto, é um equipamento mais produtivo e mais seguro por possuir uma tecnologia de última geração”, completa. O Shield deixou as obras no mês de outubro.
O Shield utilizado na Linha 4 revestiu os túneis instalando anéis de concreto reforçados com fibras de aço. No passado, os anéis eram de ferro fundido – material cujo custo é muito mais elevado e que não pode ser facilmente fabricado nos canteiros de obra, ao contrário dos anéis de concreto. Além disso, o material utilizado atualmente se adapta melhor à metodologia de escavação mecanizada.

De acordo com o engenheiro Carlos Henrique, as principais vantagens de poder contar com uma tecnologia como a do Shield em obras como a do metrô de São Paulo são “a segurança, a velocidade e a menor interferência na superfície em função de uma menor necessidade de canteiros de obras”.

Trabalhadores Tatuzão Com o Shield, foram escavados uma média de 15 metros por dia. Esse número, no entanto, chegou a 36 metros no dia mais produtivo. A tuneladora foi utilizada para os túneis entre Faria Lima e Luz, cerca de 6,5 km. O outro trecho da Linha, entre Vila Sonia e Faria Lima, contou com a metodologia NATM (New Austrian Tunneling Method) – método no qual é aberta uma cavidade que é escorada com concreto projetado. Se as obras do metrô fossem feitas pelo método NATM, por exemplo, seria escavado cerca de 1 metro por dia, por frente de escavação. Ao contrário do Shield, no entanto, seria possível iniciar as escavações por diversas frentes, podendo chegar à mesma produtividade da tuneladora utilizada.

Para que todas essas vantagens pudessem ser aproveitadas, os envolvidos na obra tiveram que enfrentar alguns desafios. O maior deles foi a capacitação para lidar com a tecnologia do novo Shield. “Tivemos que estudar e formar profissionais”.

Os responsáveis pela obra enfrentaram também alguns momentos delicados enquanto o Shield esteve em atividade, como a travessia sob as Linhas 1 e 2 do metrô, a passagem por entre os pilares do complexo viário Roosevelt e a passagem pela região de edifícios antigos, como o Copan. “Mas todos estes pontos foram superados com total segurança, pois tínhamos nas mãos um equipamento muito preciso no que diz respeito ao controle de pressões (EPB) e consequentemente de recalques e movimentações do terreno em sua área de influência”, conta Carlos Henrique.

Caso as obras não pudessem contar com o Shield, o túnel todo seria escavado pelo método NATM. “O tempo de obra poderia até ser o mesmo”, explica Carlos Henrique. “Mas necessitaríamos de mais frentes de escavação e de mais canteiros de obras dentro da cidade de São Paulo, o que não é muito simples”, ressalta.

O Shield iniciou as obras da Linha 4 – Amarela no dia 19 de março de 2007 e finalizou o trabalho em 14 de outubro de 2009. A máquina partiu da estação Faria Lima e completou o trajeto atravessando as estações Faria Lima, Fradique Coutinho, Oscar Freire, Paulista, Higienópolis, República e Luz. Depois de dois anos e sete meses de obras, o Shield foi desmontado e, atualmente, encontra-se em um canteiro de obras do Consórcio Via Amarela, no Jaguaré. A expectativa agora é para saber qual será o destino da tuneladora que tanto ajudou o Brasil. “Aguardamos definição. Ou o Shield vai para outra obra no país ou vai para o exterior”, afirma o geólogo Hugo Cássio Rocha, vice-presidente do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT).

Esse post foi publicado de quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 às 10:17, e arquivado em Destaques. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Comentários e pings estão fechados no momento.

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